Diário de uma professora
Categoria divida fazendo chacota com os colegas, principalmente com os antigos que levam a educação nas costas e fizeram de tudo que foi possível para não chegarem nisso, mas nunca encontraram apoio dos novos que iam entrando. O governo aproveitando-se disso fez a sopa de letrinhas e nem assim ninguém se convenceu que somente a união poderia nos salvar, praticamente acabou com os concursos e passou a contratar de maneira precária em que todos os anos professores tem que enfrentar uma fila para "pegar" aulas, sem saber ao certo a quantidade, a disciplina, nem por quanto tempo e muito menos em quantas escolas, além de terem que cumprirem uma quarentena em que ficam sem pagamento. Conheço professor que dá quatro ou cinco disciplinas, nem todas da mesma área, dessa forma acabou a especialização. Essa desorganização do governo os maiores prejudicados são os alunos que nunca sabem se terão professor e se realmente o professor domina a matéria ou se só está ali para garantir seu ganha pão. Aliás, não sabem nem se é eventual, pois na falta até mesmo do categoria "O", ele coloca um eventual d qualquer área para ministrar a disciplina, sem avisar aos alunos. A condição do eventual é melhor nem dizer, a única certeza é que ele não terá direito a esse abono ou sei lá o quê, que está fazendo com que muitos sintam inveja e responsabilizem os colegas em vez de tirarem satisfação com o governo.
Que tristeza o texto abaixo feito por um professor.
Novos critérios para receber o bônus proposto por BolsoDoria e o blogueirinho-secretário Rossielli. Regras disponíveis agora à noite na SED:
Apoiar o PLC 26/21 da Deforma Administrativa (R$ 10.000);
Ter mais de 30 anos de magistério (R$ 16.000 );
Ter trabalhado presencialmente durante toda a Pandemia (R$ 10.000);
Não ter tirado nenhuma licença médica no período de 10 anos (R$12.000);
Nunca ter tirado Licença Psiquiátrica (R$10.000);
Ter assistido todas as Lives do secretário, dizendo bovinamente: "Parabéns", "Gratidão", "Bom Dia, secretário" (R$ 7.500);
Nunca ter participado de greves, paralisações ou ocupações escolares, os quesitos avaliados nesse ponto é a peleguice e a falta de consciência de classe (R$ 12.000);
Quem não reivindica reajuste salarial, mas só pensa no próprio umbigo, não vendo a hora de sair da sala de aula para ser coordenador, ou diretor e vice designado, para ser um verdadeiro capacho e colaborador do sistema de exploração e sucateamento da educação pública (R$ 10.000);
Trabalhar em uma única rede (somente no Estado). Não pode ter acúmulo na Prefeitura, nem ministrar aulas em escola particular (R$ 12.000);
Tem que provar por meio de exame médico em urologista que ainda tem libido, que é imbroxável, como o presidente, deve ter virilidade e desejo sexual aguçado; caso seja professora não pode ser frígida (R$ 10.000);
Abrir mão do senso crítico, da autonomia do pensamento e da produção do conhecimento, aceitando e reproduzindo bovinamente todo conteúdo enlatado, dos cursos da EFAPE, do Novo Ensino Médio, patrocinados pelas empresas lobistas da educação, tais como: Instituto Ayrton Senna, Marpfre, Instituto Unibanco etc. (R$ 16.000);
Votar em candidatos como BolsoDoria, Amoedo e Alckmin só porque se supõe como pertencente da burguesia, visto que não se enxerga como classe trabalhadora (R$ 10.000);
Não tolerar e rechaçar qualquer tipo de discussão política no recinto escolar, perseguindo e ridicularizando, às escuras, quem o faz (R$ 7.500);
Depois de quase 2 anos de pandemia, ainda permanecer defendendo Bolsonaro e seu desgoverno, pois que não foi suficiente passar vergonha atestando burrice monumental, ao digitar 17 na urna em 2018 (R$ 7.500);
Ter assistido e discutido em sala com os alunos a série sul-coreana Squid game, vulgo: Round 6 (R$ 7.500).gela Maria S
A categoria não entende que não tem por onde correr! Nem as greves, pois rapidamente o governo contrata mesmo o saber notório para enrolar a população e substituir os grevistas. O êxodo de concursados que só trabalham para o estado para escola PEI é porque é o único jeito de ganhar mais sem ficar na escola o dia inteiro ocioso esperando a hora de dar sua aula, ou indo e voltando o dia todo e até mesmo para não perder o local que escolheu para trabalhar e ser jogado para qualquer uma sabe lá onde. Em relação às modificações que tornam o trabalho do professor cada vez mais burocrático, a ordem vem de cima e não dá para não cumprir já que o governo é nosso patrão. Acho um horror às intromissões do governo na aula do professor, é muito difícil conquistar o aluno e quando conseguimos o governo interrompe tudo nos mandando fazer festinhas, não só isso, tudo é mais importante que nossas aulas, qualquer coisa é mais importante que aulas, são semanas inteiras de interrupções. Posso falar da minha área, consigo chamar a atenção dos alunos finalmente com a Segunda Guerra Mundial, arranjo até um vídeo de aviões bombardeando que alunos adoram, aviso sobre as atividades da próxima aula, sobre as provas, enfim compromissos sérios . Chego na escola não haverá aulas por um motivo banal qualquer, seja por festinha ou simplesmente para irem para casa, o aluno pensa que é um presente e que sala de aulas é um castigo. Quando retornamos sei lá quando tanto aluno e professor não estão no mesmo pique e tem que começar tudo outra vez! Assim professor e aluno vão desanimando, professor vai parando de preparar boas aulas e alunos deixando de se empenhar, alguns param de levar até material e ambos ficam na espera que o governo mande fazer algo. Professor tem que ter compromisso com o planejamento anual ou semestral que seja e o governo não pode atrapalhar. As avaliações devem ser contínuas, mas quem deve preparar é o professor, mesmo as agnóstica, pois somente o professor conhece seu aluno e sabe o que foi trabalhado. Junto a essas interrupções e provas reparadas pelo governo o professor nunca tem tempo de dar matéria direito e lá vem o governo cobrando evolução do aluno numa prova com matérias que não foram trabalhadas. Acredito que os governos estaduais, municipais e federal tenha que dar provas, mas fazerem um bem bolado para não passarem de uma ou duas vezes por ano em que a mesma prova sirva para todas esferas para saberem como anda a evolução dos alunos e providenciarem coordenadas para irem melhorando. Ah! Não que eu seja contra festinhas e projetos, mas aquelas festinhas de final de bimestre em que alunos não querem saber de nada, essas dão até um gás para todos retornarem no próximo bimestre. Projetos somente aqueles bem elaborados pelos professores ou pelo conjunto do educadores para quê o planejamento não seja prejudicado.

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