Um dia sem poesia

        
De uma decepção nasceu esta poesia...


 
           

           Estive afastada do blog, aliás, durante esse tempo fiquei pensando no que fazer com ele, já que minhas colegas não se manifestaram e não tive mais contato com elas... Durante esse tempo  a vida foi correndo e  tive muitas alegrias, mas houve um momento que quase desisti de lutar por aquilo que gosto e sei que tenho condições de fazer,  minha disposição é bem maior que o preconceito que algumas pessoas sentem por mim. Já disse em outro momento que estou afastada da sala de aulas por ser bipolar e tenho consciência que não suportaria a pressão de uma sala de aulas, pois detesto quando algo dá errado quando estou trabalhando e  adoeço emocionalmente, além dos sintomas todos que tenho fico uma atrapalhação só e  tenho que tirar licença médica o quê é uma constância em minha vida. Contudo nos últimos anos pensei que tivesse encontrado algo na escola que realmente me desse prazer.  O trabalho na sala de leitura onde  auxilio os professores  e para valoriza-los  registro formalmente os projetos , colho dados, fotografo, faço slides, vídeo clip, etc...  estava  me sentindo muito feliz com o resultado, porém as pessoas não entendem que faço isso porque gosto e não preciso da escola para desenvolver  tais trabalhos, posso praticar  na internet  e se alguém  está vendo ou não pouco  importa para mim, lógico que pesquiso e procuro me atualizar, tenho uma eterna sede de aprender cada vez mais sobre essa montagens  com escritos e imagens que rolam por aí, nunca  fiz curso de informática, porém um dia conheci no Orkut, Jaak Bosnans, o criador da” Poemagem”  e observando-o  aprimorei, meu único mestre, até tivemos uma página juntos que  deixamos porque as coisas mudam, na internet tudo parece passageiro, depois eu não faço nada para ganhar dinheiro, só por puro lazer e por essa liberdade de poder fazer  do jeito e na hora em  que eu quiser, vez em quando me canso e paro mesmo, já destruí muitos blogs no auge e perdi muitos poemas escritos por mim,  sou assim, deve ser coisa de “bipolar” rs.
O que me entristeceu tanto ao ponto de pensar em tirar licença e ter perdido um pouco do encantamento com a sala de leitura foi que no início do ano tivemos um curso onde nos foi sugestionado que trabalhássemos Vinícius de Moraes devido ao seu centenário e fiquei maravilhada com a ideia, ele foi o primeiro poeta que  conheci por nome ainda na primeira infância através da “Arca de Noé”, nem imaginava que teríamos apoio da escola  quando uma pessoa nos apresentou o projeto e pediu para que todos o trabalhassem, os professores ficaram  surpresos, não por não conhecer Vinícius, mas sim pela urgência em que foram solicitados a colocar em prática. Logo estava eu lá dando palpites e pela falta de sugestão dos professores de todas as disciplinas propus então  a biografia de Vinícius e  aprofundar em “Rosa de Hiroshima”, que dá para trabalhar todas as disciplinas e com certeza sairia um produto maravilhoso. Vendo a minha empolgação uma professora me pediu para passar o contexto aos alunos, pois assim ficaria mais fácil  dar andamento a  matéria, mesmo porque  os alunos já teriam uma noção do que se tratava. Ingenuamente aceitei e preparei uma apresentação  comum.   Sempre fui dedicada, um dos meus problemas é que sou muito chata exigindo muito de mim, mas  não sabia que os alunos iam gostar tanto. Lembro-me a data com muito carinho, oito de março, exatamente no dia internacional da mulher uni o útil ao agradável e dei uma aula aos alunos do noturno adaptando  especialmente para esse dia, já que Vinícius escreveu muitos poemas para as mulheres foi um sucesso, os alunos adoraram! Alunos esses que muitos colegas diziam que sequer conheciam o nome do poeta recitaram O Pato, o Soneto da fidelidade, citaram o nome de muitos poemas e música do legado do autor e alguns até choraram. No outro dia continuei com outras turmas, foi à mesma emoção com alunos de oitavo ano, nunca imaginei que o assunto os tocaria tanto, até professores que estavam de aula vaga foram assistir  e gostaram, lógico que fiquei feliz ao  saber que eu ainda sabia preparar uma aula... Só que eu não esperava que fosse levar uma bronca e daquelas! Uma pessoa veio e me falou um monte coisa, por fim me disse que eu havia dado a aula de Ciências do professor dela! Foi muito feio discutimos, por mais que eu quisesse ficar quieta e baixar a cabeça  não conseguia, foi o maior barraco... Depois fiquei dias pensando onde foi que eu errei ao querer retribuir uma gentileza,  a pessoa que me convidou sabia o fascínio que eu tenho pelo poeta “Vinícius de Moraes”, o mesmo que um dia na adolescência decorei a poesia “Procura-se um amigo”... por pensar  ser de sua autoria e certa vez fiz umas montagens fragmentadas com ela, onde não me cansei de repetir o nome dele, até  descobrir que ele não era o autor, trata-se de uma poesia de autor desconhecido, mas para mim isso não importa, sempre irei admirá-lo pelo legado histórico, destacando a figura do amigo, da mulher, das crianças e dos animais, eu amo Vinícius de Moraes... Quanto a escola? Enquanto existir computador continuo  fazendo o que gosto, não preciso dela para me divertir, lá sou paga para trabalhar. Da próxima vez vou falar para eles consultarem primeiro a chefe. Ah! A aula não tinha nada a ver com ciências, mesmo porque sou professora de História!  E o projeto do centenário de Vinícius se perdeu ninguém conseguiu levar adiante, uma pena!



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